Três Livros

Uau! Mais de dois meses sem postar por pura preguiça. Mas começou um novo ano e agora quero me dedicar mais ao blog. E vou começar com dicas dos três primeiros livros que li em 2018, todos escritos por mulheres, todos com uma ótica feminista e todos fantásticos.

amiga

A Amiga Genial, de Elena Ferrante – Esse é o primeiro livro da tetralogia Napolitana que conta a história de duas amigas: Lila e Lenu. O primeiro livro fala da infância e adolescência das duas. A história se passa num bairro pobre de Nápoles, no período pós-guerra. Esqueçam a Itália linda e romântica dos filmes. A Nápoles retratada no livro é marcada pela pobreza, pelas brigas familiares, pela violência. Lenu é quem narra a história e mostra como a relação entre ela e a amiga é complexa. Uma mistura de amor, ódio, cumplicidade, inveja, e competição num bairro e numa época onde as mulheres não eram valorizadas. E tudo que as duas amigas querem é sair daquele bairro, daquela vida. Seja por meio dos estudos ou do casamento. O final é impactante e deixa um gancho para o segundo livro.

Uma curiosidade sobre a autora é que ninguém sabe realmente quem ela é. Ela usa um pseudônimo e só dá entrevistas por escrito e através dos seus editores. Há quem diga que a tetralogia é autobiográfica. Sendo ou não, Elena Ferrante escreve de forma espetacular. Os livros serão adaptados numa série pela HBO.

miniaturista

Miniaturista, de Jessie Burton – Em 1686, Petronella Oortman é uma jovem de 18 anos que se casa com um bem-sucedido mercador de Amsterdã e se muda do interior para a casa do marido, na capital. Com ele também moram a irmã e um casal de empregados. Nella, como Petronella é chamada, acaba se sentindo uma intrusa na sua própria casa. Sua cunhada é austera, pouco sensível e cheia de segredos. O marido se comporta como um estranho e nunca está em casa. Numa ato de generosidade ela dá de presente a Nella uma casa de bonecas. Ela então resolve contratar um miniaturista para mobiliá-la e coisas estranhas começam a acontecer. Além dos objetos encomendados por Nella, o miniaturista (que nunca é visto) também manda outras miniaturas. E os objetos e miniaturas da casa de bonecas antecedem acontecimentos reais.

Esse livro não é um romance. É um drama cheio de mistérios e segredos e uma crítica à sociedade burguesa da época, à hipocrisia religiosa, à opressão sexual e à submissão das mulheres. O final deixa um pouco a desejar, mesmo assim vale a leitura.

A autora se inspirou na verdadeira Petronella Oortman, que realmente existiu, e em sua casa de bonecas que está na exposição permanente do Rijksmuseum, em Amsterdã. O livro foi adaptado numa minissérie pela BBC.

o conto da aia

O Conto da Aia, de Margaret Atwood – Esse livro é perturbador e foi o mais difícil de ler dos três. A história é sobre uma sociedade distópica onde, depois do acúmulo de radiação em algumas regiões dos Estados Unidos, extremistas religiosos acabam com o presidente e o congresso e tomam o poder em certas regiões do país. O que antes era uma democracia se transformou numa teocracia. Nessa sociedade as mulheres perdem todo o poder. Não podem andar sozinhas, trabalhar, nem mesmo aprendem a ler. Elas são divididas em castas: as Esposas de Comandantes (cuidam da casa e dos filhos e fazem trabalhos manuais, como tricô), as Econoesposas (fazem o mesmo papel das Esposas de Comandantes, mas são casadas com homens de classe baixa), as Martas (empregadas domésticas, que cuidam dos bebês e crianças), as Tias (encarregadas de treinar a obediência das Aias), as Aias (que servem apenas de receptáculo, para gerar um filho do Comandante e depois ser enviada para outra família, sem ter qualquer autonomia em relação à criança concebida) e as Não-Mulheres (mulheres não férteis solteiras, idosas, lésbicas). A história é contada por Offred, uma das Aias. Na maioria das vezes a narrativa é completamente desprovida de emoção. Só quando lembra do marido e filha, que não sabe o que aconteceu com eles, é que ela demonstra algum tipo de emoção.

Apesar de ter sido lançado em 1985, o livro é bem atual. Não porque pode acontecer, mas porque já está acontecendo em algumas sociedades. Onde existem extremistas religiosos cujas mulheres são meras propriedades deles. Muitas delas morrem ao tentar fugir para ter uma vida melhor, ou ao menos uma vida. Não é um livro fácil de ler, pois aborda estupro, tortura, mutilação, opressão. O livro é assustador, um verdadeiro soco no estômago e muito complexo pra resumir sem dar mais spoilers. Mas é obrigatório para todas as pessoas independente de credo, gênero ou visão política.

A premiada série The Handmaid’s Tale, baseada no livro, foi distribuída pelo canal de streaming Hulu e será transmitida no Brasil a partir de março de 2018 pelo Paramount Channel.

Dolls__house_of_Petronella_Oortman
Casa de bonecas de Petronella Oortman

 

 

Autor: dicasdamon

Meu nome é Mônica e adoro viajar, ler, assistir a filmes e séries e sair com os amigos. Adoro artes e amo a obra de Van Ghog.

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