Berlim – Dia 3

No nosso terceiro e último dia e Berlim, choveu pra caramba. Eu nunca havia pegado tanta chuva numa viagem antes. Adorei a viagem, claro, mas preferia que tivesse sido um pouco mais seca.

Tomamos café da manhã no Dean & David, novamente. Lugar agradável e comida saudável e gostosa. Num dia de chuva, pra que procurar outro? De lá fomos na loja do Ampelmann. Sabe o que significa? Simplesmente homem do semáforo. Aqueles bonequinhos icônicos nos semáforos de Berlim são tão queridos que têm até loja. São seis espalhadas pela cidade.

Depois da construção do muro de Berlim, o psicólogo de tráfego, Karl Peglau, resolveu criar uma figura mais divertida para os semáforos. Desde cedo, as crianças aprendiam a se comportar no trânsito e o Ampelmann era uma forma lúdica de ensinar isso aos pequenos. Ele ficou tão querido que, mesmo depois da queda do muro, a imprensa, junto com o povo berlinense, se mobilizou para a volta dos fofos homenzinhos, já que eles já tinham começado a ser substituídos pelos semáforos oficiais da Europa.

Hoje as lojas vendem todo tipo de produto com os Ampelmann (não sei como é o plural). E também as meninas do semáforo. Tem imã de geladeira (comprei um homenzinho andando e uma menina parada), camisetas, borrachas, lápis, guarda-chuva, mochilas, toalhas, roupinhas de bebê, além das balinhas que ficam numa bandeja na loja pra quem quiser pegar.

Os homenzinhos
As menininhas

Como a chuva havia dado uma pequena trégua, saímos da loja e fomos até a Alexanderplatz, onde tem um dos mais queridos símbolos de Berlim, o Relógio do Horário Mundial. Tombado desde 2015 pelo patrimônio histórico, o relógio é um dos pontos mais visitados pelos turistas.

Ele foi construído em 1969, ainda na Alemanha Oriental, e marca a hora de 146 países. Não deixa de ser irônico, já que a Alemanha Oriental queria isolar as pessoas do resto do mundo e ali mostrava justamente que horas seriam em vários países do mundo. O relógio funciona perfeitamente até hoje. Na verdade, até melhor, já que depois da queda do muro foram feitos ajustes em alguns fusos horários que estavam errados, além de terem acrescentado outros países. Foi uma das coisas mais interessantes que vi na cidade.

Duas da tarde em Berlim, Sete da noite em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo

De lá fomos ver a East Side Gallery, os grafites do Muro de Berlim. Dos mais de 140 km de comprimento, a East Side tem a maior seção do muro ainda de pé. São 1,3 km de muro grafitado seguindo as margens do rio Spree. Era outro lugar que eu estava ansiosa para ver. Existem cerca de 106 murais pintados por vários artistas ao longo do muro. É muito interessante e o que era antes um muro opressor, passou a expressar a liberdade do povo.

Essa cena entre o líder soviético Leonid Brezhnev e o presidente comunista alemão Erich Honecker realmente aconteceu.

Desde que cheguei a Berlim estava com vontade de comer o currywurst, salsicha temperada com ketchup ao curry, mas ainda não tinha tido a oportunidade. Adoro experimentar comidas tipicas quando viajo. Fomos ao Spreewirtschaft Restaurant, que fica pertinho da East Side Gallery. Matei meu desejo e realmente achei o prato muito gostoso. Adoro comida apimentada! Claro que foi acompanhado de um belo copo de cerveja alemã. O Spreewirtschaft Restaurant fica em Mühlenstraße 13-19, 10243 Berlim.

Isso é muito bom, viu?

Depois de devidamente alimentadas, fomos ao Reishtag, o parlamento alemão. O prédio tem um estilo clássico, lembrando a Catedral de Berlim, mas com uma cúpula bem moderna. A construção do edifício foi finalizada em 1894 e desde então foi vítima de um incêndio suspeito em 1933, além de ter sido destruído durante a Segunda Guerra. Muito se debateu sobre sua derrubada ou reconstrução até que, em 1956, optaram por reconstruí-lo, mas sem sua cúpula original. A cúpula atual tem 23,5 metros de altura e é toda revestida de vidro, com espelhos que refletem a luz solar, que proporcionam luz natural no interior do prédio.

Na parte interna tem um caminho em espiral, de onde você pode ver o plenário do parlamento, e vai até o topo, mostrando belos ângulos da cidade. Você pode visitar a cúpula de graça, mas a visita tem que ser previamente agendada aqui.

Estava chovendo (pra variar) e as imagens do lado de fora do parlamento ficaram bem ruins

Encerramos o dia no restaurante Mama Trattoria Berlin Mitte, um italiano delicioso que fica pertinho do Portão de Brandemburgo. Pariser Platz 6a, 10117 Berlin.

Berlim – Dia 2

No nosso segundo dia em Berlim, o tempo amanheceu um pouco melhor. Teve um pouco de sol, intercalado com vento e uma chuvinha fina.

Tomamos um café da manhã tardio no Dean & David, uma rede de restaurantes que serve sanduíches naturais, wraps e saladas, além de sucos, café e chá. É bem gostoso e tudo é bem servido. Tem vários endereços em Berlim.

Outono em Berlim

Resolvemos começar o passeio do dia pela Berliner Dom, o Catedral de Berlim, a mais linda e imponente igreja da cidade. Ela é realmente impressionante. A catedral fica na Ilha dos Museus, às margens do rio Spree e tem 114 metros de comprimento e 116 de altura. É linda por dentro e por fora.

A catedral é uma igreja protestante luterana e foi construída entre 1894 e 1905, em cima dos alicerces de outra catedral de 1747. Ela foi projetada em estilo barroco, com influência do renascimento italiano. Na Segunda Guerra Mundial, foi atingida por uma bomba de líquidos inflamáveis durante um ataque aéreo e ficou seriamente danificada. Depois da divisão de Berlim, a Berliner Dom ficou do lado oriental e só começou a ser restaurada em 1975, sendo concluída apenas em 2002, devido aos altos custos da restauração.

Linda que só! A igreja. 😉

O altar da catedral, com mármore branco e ônix amarelo, se destaca, assim como o magnifico órgão de transmissão pneumática.

Olha o tamanho desse órgão maravilhoso!

No sótão da igreja tem a Cripta dos Hohenzollern, que guardam os sarcófagos da família Hohenzollern, com mais de 90 túmulos dos membros da família imperial falecidos desde o final do século XVI até o início do século XX. É um lugar impressionante e vale à pena ser visitado.

Mas o melhor da catedral é sua cúpula, onde você pode subir e apreciar Berlim do alto. São 270 degraus. Cansa, mas vale à pena.

Um dos poucos dias sem chuva na Alemanha
Em cima, tem essas belas estátuas

A Berliner Dom fica em Am Lustgarten, 10178 Berlim.

De lá fomos à Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, ou Igreja Memorial Imperador Wilhelm, que foi quase toda destruída na Segunda Guerra. Ela não foi restaurada para lembrar a destruição causada pela guerra, se tornando um símbolo da inconsequência das guerras.

Era uma igreja bem grande. Tinha 5 torres, mas só sobrou uma delas, e mesmo assim bem detonada. O interior era decorado por belos mosaicos, que ainda podem ser vistos e admirados.

Uma nova igreja foi construída ao lado da antiga, bem mais moderna, com suas formas geométricas. Ela tem forma hectagonal, a torre do sino é hexagonal e as paredes são compostas por mais de 20.000 pedaços de vidro em lindos tons de azul. É um lugar que transmite muita paz.

Dá pra perceber que era linda, não?
o interior da nova igreja

De lá nós fomos conhecer o lugar que eu estava mais ansiosa para ver: o Portão de Brandemburgo, que ficou conhecido como o símbolo da reunificação alemã.

O Brandemburger Tor, como é conhecido na Alemanha, é uma enorme construção em estilo neoclássico, com 26 metros de altura e foi inaugurado em 1791. Em 1795, o monumento recebeu uma quadriga de cobre que representa a Deusa da Vitória em uma carruagem puxada por quatro cavalos em direção à cidade. A estátua que vemos hoje em dia é uma cópia feita em Berlim ocidental em 1969, já que a original foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante a Guerra Fria, foi construído um muro que separava a Berlim Oriental da Ocidental. As pessoas do lado ocidental só podiam ver o portão de longe, por cima do muro, já que haviam várias torres de vigilância e os soldados da Alemanha Oriental bloqueavam o acesso.

É uma construção imponente e lembra as construções da Acrópolis de Atenas. Fica na Pariser Platz, 10117 Berlim.

Portão de Brandemburgo iluminado, à noite

Terminamos o dia no Hard Rock Café Berlim. Lugar que sempre tem música boa, petiscos gostosos e o melhor mojito. Fica na Kurfürstendamm 224, 10719 Berlim.

A foto ficou borrada, mas dá pra ver o tamanho da sobremesa

Paris Pode Esperar

Anne (Diane Lane) está acompanhando Michael (Alec Baldwin), seu marido e badalado diretor de cinema, no Festival de Cinema de Cannes e sonhando em ir com ele a Paris por alguns dias ao término do festival. Michael tem que ir a Budapeste inesperadamente resolver um problema em seu novo filme e Anne não consegue acompanhá-lo porque está com uma forte dor de ouvido e o piloto do jatinho que os levaria para a Hungria, a desaconselha a viajar. É aí que entra em cena Jacques (Arnaud Viard), um bon vivant e sócio francês de Michael, que se oferece para levar Anne de carro a Paris, onde em dois dias ela reencontrará o marido. O que era pra ser uma viagem de sete horas, se torna uma verdadeira maratona gastronômica, já que Jacques insiste em parar em todas as cidades pela qual eles passam para aproveitar a gastronomia e vinhos do lugar.

Esse é o longa metragem de estreia de Eleanor Coppola, esposa do aclamado diretor Francis Ford Coppola e mãe da também cineasta Sofia Coppola. Até então ela só havia dirigido documentários.

Paris Pode Esperar é uma espécie de road movie gastronômico. Os personagens passam por belíssimas paisagens e cidades, curtindo não só a culinária, mas também a arquitetura local, como os belos arcos milenares da Provença.

A história em si é bem comum. Anne e o marido se amam, mas ele se dedica mais ao trabalho que a ela. Sua filha adolescente está saindo de casa para ir para a faculdade e Anne está meio perdida com isso. Ela passa a ser uma fotógrafa amadora e, na minha opinião, esse lado poderia ter sido melhor explorado. Além disso, não há uma grande química entre Anne e Jacques.

Mesmo assim o filme é bem gostoso de assistir, apesar do final meio previsível. Os personagens viajam por paisagens floridas, e visitam o Museu Lumière, em Lyon, e a belíssima catedral de Vezelay, na Borgonha. Tudo regado a belos pratos com receitas seculares de cada região e, claro, um bom vinho.

Paris Pode Esperar é um ótimo passatempo para quem quer viajar e não pode, em tempos de pandemia. Disponível no Globoplay.

Desonra

Desonra, do escritor sul-africano J. M. Coetzee, é um livro incômodo. Embora a escrita seja bem fluida e simples, o tema é bastante complexo. Aliás, acho que Desgraça seria um título mais apropriado para o livro, já que é a tradução do título original (Disgrace).

David Lurie, um professor universitário de 52 anos, duas vezes divorciado, vive na Cidade do Cabo, na África do Sul pós-apartheid onde, embora não haja mais segregação, existem muitos conflitos e ressentimentos raciais. Falei que o nome Desgraça seria mais apropriado para o livro porque é o que acontece com Lurie, logo após seduzir meio que a força uma de suas alunas e o caso ser revelado à universidade. David recusa-se a se desculpar pelo acontecido e é forçado a pedir demissão. Uma vez sem emprego, vai morar no campo com a filha Lucy, onde deseja terminar uma peça de teatro sobre os anos que Lord Byron passara na Itália.

Só consegui sentir certa empatia pelo personagem principal já perto do final do livro, depois que certo acontecimento muda a vida de Lurie e de sua filha por completo. Como disse, o livro é bastante incômodo de ler. Trata de abuso sexual, maus-tratos contra animais, violência, racismo.

Fazia tempos que um livro não me despertava tanta raiva e vontade de dar uma boa sacudida em um personagem. Embora seja muito interessante, principalmente porque trata de uma cultura diferente da que estamos acostumados a ver, Desonra não é um livro fácil. É seco, duro e o final é um soco no estômago, daqueles bem dados.

Saudades da Itália

A Itália é um dos países mais visitados do mundo e não é por acaso. Sua longa história, suas cidades charmosas e lindas, e sua comida deliciosa são apenas três dos vários motivos para qualquer pessoa querer conhecer aquela terra maravilhosa. Mas hoje não vim aqui para falar da Itália. Isso fica para outro post. Na verdade vou dar três dicas de filmes ambientados no país para quem, como eu, está tendo crises de abstinência por não poder viajar nesse momento que estamos passando e/ou está morrendo de saudades da Itália.

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Só Você – Faith e seu irmão Larry, dois adolescentes, estão brincando com uma tábua de ouija, que revela à garota o nome do seu futuro amor, Damon Bradley. Faith é uma garota romântica e acredita que o tal Damon é seu destino. Já adulta e noiva de um médico, ela recebe o telefonema de um amigo do seu noivo dizendo que não poderá comparecer ao casamento por estar de partida para Veneza. O nome do amigo? Damon Bradley! Faith resolve viajar imediatamente para a Itália e leva junto Kate, sua cunhada e melhor amiga, que está tendo problemas no casamento.

O filme é daquelas comédias românticas que até os avessos à romance gostam de assistir. As lindas cidades italianas de Veneza, Roma e Positano, a química entre Marisa Tomei e Robert Downey Jr. e a charmosa dupla coadjuvante, Bonnie Hunt e Joaquim de Almeida, tornam esse filme inesquecível.

Assisti ao filme pela primeira vez em sua estréia, em 1994. Nunca tinha ouvido falar em Positano e jurei que um dia iria conhecer àquela linda cidade. Uma outra hora conto sobre minhas viagens à Itália. O filme está disponível na Netflix.

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Sob o Sol da Toscana – Frances é uma escritora e editora em San Francisco e leva uma vida aparentemente perfeita, até descobrir que seu marido a está traindo com uma mulher mais jovem. Divorciada e tendo que sair da casa que ficara para seu ex-marido, Frances resolve aceitar o presente de sua amiga Patti e sua companheira, para passar férias na Toscana. Na bela cidade de Cortona, Frances se depara com uma linda e um tanto decapitada villa, e num impulso resolve comprá-la.

Ainda magoada por causa do divórcio, Frances começa uma nova vida tentando juntar seus pedaços e arrumar a villa com ajuda de empreiteiros poloneses e vizinhos italianos. Diane Lane está muito bem nesse misto de comédia romântica e drama, tendo como companheiros de cena a ótima Sandra Oh e o belo ator italiano Raoul Bova. Além de Cortona, onde o filme faz uma linda homenagem a Fellini, o filme tem locações também em Positano e Siena.

Apesar de não estar disponível em nenhuma plataforma de streaming, vale à pena procurar e viajar com essa delícia de filme.

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Comer Rezar Amar – Liz Gilbert tem uma carreira bem sucedida, uma casa e um marido, o que para muita gente parecia a vida perfeita. Mas ela não está satisfeita e resolve largar tudo. Namora um rapaz mais jovem, mas ainda não é o que queria. Decide então fazer uma viagem de auto conhecimento para a Itália, Índia e Indonésia.

Na Itália, onde passa por Roma e Nápoles, Liz resolve esquecer a dieta e se deliciar com os incríveis gelatos italianos, as massas maravilhosas e a pizza super saborosa da Antica Pizzeria da Michele. Julia Roberts parece se divertir no papel de Liz Gilbert, enquanto se entrega às indulgências gastronômicas. Na Índia ela faz amizade com Richard (Richard Jenkins) e em Bali, conhece Felipe, papel do charmosíssimo Javier Bardem.

Baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert, Comer Rezar Amar é um ótimo filme para viajar sem sair de casa. Disponível na Netflix.

Abra um vinho, peça uma pizza e boa viagem!

A Sombra do Vento

Hoje amanheci com a triste notícia que Carlos Ruiz Zafón, um dos meus autores preferidos, havia morrido precocemente aos 55 anos. A Sombra do Vento foi o primeiro livro dele que li. Lembro do impacto que me causou há alguns anos e o livro acabou se tornando um dos meus preferidos até hoje.

Marina, O Príncipe da Névoa, O Jogo do Anjo, foram outros livros fantásticos de Zafón, embora nenhum tenha sido tão marcante para mim quanto A Sombra do Vento.

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Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade. A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em um homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.

Bastou a sinopse do livro para me conquistar, mas A Sombra do Vento tem muito mais. É daqueles livros que você lê e fica um tempão pensando nele. O autor escreve com maestria e a construção de seus personagens é muito bem desenvolvida. Destaco aqui Fermín, amigo de Daniel, um intelectual na pele de um mendigo que tem um bom humor incrível.

A escrita de Zafón é poética, sedutora. Ele consegue misturar passado, presente e futuro sem se perder. O livro tem uma fascinante mistura de drama, suspense e romance. Cada página tem em certo tom de mistério que deixa o leitor querendo sempre mais. E apesar disso, é daqueles livros para se ler devagar, saboreando cada frase, com pena que ele acabe.

Além disso tem o Cemitério dos Livros Esquecidos, um lugar mágico, que eu gostaria de um dia encontrar.

A morte de Carlos Ruiz Zafón é uma perda irreparável para a literatura mundial. Fica aqui minha homenagem ao autor.

Abaixo, algumas das frases mais memoráveis do livro A Sombra do Vento.

“Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos”

“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse uma rameira, um gatuno ou um vendedor de loteria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas à domicílio. É preciso ir atrás dele.”

“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.”

“As pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa antes de acreditar na verdade.”

Berlim – dia 1

Continuando a viagem pela Alemanha, partimos de Frankfurt para Berlim de trem. Saímos da Frankfurt Hauptbahnhof por volta das 8 da manhã e chegamos em Berlim pouco depois do meio-dia. Compramos as passagens via internet por aqui. É muito melhor já chegar na estação com a passagem na mão, embora ela possa ser comprada na hora. Só que comprando na estação, nem sempre você vai encontrar um horário ou lugar favorável.

Chegamos em Berlim debaixo de muita chuva. Tentamos pegar um Über, mas todas as vezes que tentei pedir, o carro parava do outro lado da rua e  a uns 500 metros de onde estávamos. Sem condições de arrastar mala com aquela chuva toda. Depois de muito tentar, resolvemos pegar um táxi.

Ficamos hospedadas no Alexander Plaza Berlin, um hotel quatro estrelas com ótimo custo/benefício, pertinho da Alexanderplatz, uma das principais praças de Berlim. Além da ótima localização, o hotel possui quartos amplos, com frigobar. O Alexander Plaza fica em Rosenstraße 1, 10178 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 240010.

Largamos as malas no hotel e fomos procurar um restaurante por perto pra almoçar. Encontramos o vietnamita Madami – Mom’s vietnamese kitchen. Emília não gostou muito da comida. Eu gostei bastante, mas sou boa de boca. Além da boa comida, achei o ambiente gostoso e os garçons atenciosos. Fica em Rosa-Luxemburg-Straße 3, 10178 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 88473866. Fecha às 23h.

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Interior do restaurante

Saindo do restaurante fomos andando até a Alexanderplatz, que é bem pertinho. Essa praça, que é a maior de Berlim, fica no bairro Mitte, um dos mais interessantes da cidade. O local originalmente se chamava Ochsenmarkt ou Ochsenplatz, pois ali havia uma feira de gado. Foi depois da visita do czar russo Alexander I à cidade, que recebeu o nome que é conhecido hoje. A praça é um importante centro comercial porque além do Mercado Central, tem várias lojas de departamentos, eletrônicos e outras lojas em geral.

Quando for atravessar a praça, preste muito atenção aos bondinhos. A passagem, que parece ser só para pedestres, é para os bondes também.

Não ficamos muito tempo por lá pois a chuva só aumentava a cada momento. Resolvemos entrar na St. Marienkirche Berlin, ou Igreja de Santa Maria, que fica bem pertinho da Alexanderplatz. A igreja é muito bonita e não se sabe ao certo a data da sua construção, mas presume-se que foi erguida no início do século 13. Originalmente era uma igreja católica, mas foi convertida ao protestantismo durante a Reforma Protestante. É a igreja mais antiga de Berlim e é bem bonita, principalmente por dentro. Tentei tirar uma foto da igreja do lado de fora, mas chovia tanto, que não deu. O que pegamos de chuva nessa viagem…A Marienkirche fica em Karl-Liebknecht-Str. 8, 10178 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 24759510. Abre de terça a domingo a partir das 10h.

Além da chuva, estava ventando e fazendo um frio retado. Resolvemos voltar ao hotel, mas antes passamos no café Koch’s Café Haus, para tomarmos um chocolate quente. O lugar é aconchegante, tem várias coisinhas gostosas pra comer e estava bem quentinho. Tomei um chocolate delicioso lá. Pedi uma xícara média e veio quase um balde. Sem reclamação aqui. O Koch’s Café Haus fica em Karl-Liebknecht-Str. 7, 10178 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 2423775. Abre de terça a domingo a partir das 9h.

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Meu delicioso chocolate

Voltamos ao hotel e depois fomos nos encontrar com minha amiga atleta Adriana, que foi correr a Maratona de Berlim, e sua irmã Keline, no Restaurant Entrecot. Outro restaurante com ambiente agradável e comida deliciosa. O contra-filé estava muito bom e bem parecido com o do restaurante le Relais de l’Entrecôte, em Paris. Falei dele aqui. Porém, no restaurante de Paris só tinha um prato, enquanto nesse o menu é bem variado. Fica em Schützenstraße 5, 10117 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 20165496.

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O mesmo prato pra todas

De lá, fomos andando até o hotel de Adrianinha e Keline, que fica bem perto do Checkpoint Charlie, um antigo posto militar na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental, durante a Guerra Fria. Ligava o setor estadunidense com o setor soviético e se localizava na junção das ruas Friedrichstrasse com Zimmerstrasse e Mauerstrasse. As autoridades da Alemanha Ocidental construíram este posto para servir como um ponto de controle para registrar a passagem de membros das Forças Aliadas e diplomatas estrangeiros entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, logo após a construção do Muro de Berlim. O posto foi removido após a reunificação da Alemanha e a cabine original se encontra no Museu dos Aliados. Desde o ano 2000 existe uma reprodução onde antes havia a cabine original. Havia dois outros postos militares localizados na direção ocidental e eles tinham os nomes de Checkpoint Alpha e Checkpoint Bravo, de acordo com o alfabeto fonético da OTAM. O Checkpoint Charlie fica na Friedrichstraße 43-45, 10969 Berlim, Alemanha, telefone +49 30 2537250.

Ainda bem que passei por lá nesse dia, senão não teria tipo paciência para enfrentar a longa fila que se forma para tirar foto no local. Quando passei no local outro dia, a fila estava gigante e, pra variar, estava chovendo. Paciência é uma virtude que possuo bem pouca. :p

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Com sono e com frio

 

Mestres do Terror

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Sempre gostei de histórias de terror. Do tipo inteligente, daquelas que mais insinuam do que mostram. Esse lance de sangue pra todo lado não é comigo. Gosto mais de suspense e terror psicológico. Quando ouvi falar desse box dos Mestres do Terror, da Editora Nova Fronteira, resolvi que era hora de ler os maiores clássicos do horror. Drácula, Frankenstein e O Médico e o Monstro são obras seculares e, ainda assim, atuais, que foram adaptadas para o cinema e o teatro diversas vezes.

Drácula – Do romancista irlandês Bram Stocker, Drácula foi o livro o qual eu estava mais curiosa, talvez por ter uma queda por  vampiros. O livro é um romance epistolar, algo que muita gente não gosta, mas eu adoro. É como se eu estivesse vivendo aquilo, lendo os diários e cartas de outras pessoas. O jovem advogado Jonathan Hacker viaja para as montanhas dos Cárpatos, perto da Transilvânia, uma região da Romênia, para fazer transações imobiliárias com o Conde Drácula. No início Jonathan acha o conde encantador, com seus modos educados, mas aos poucos ele percebe coisas estranhas. Drácula nunca come, nunca aparece de dia e seu corpo não reflete no espelho. Jonathan percebe que se tornou prisioneiro do castelo e fará de tudo para ir embora e encontrar sua noiva, Mina Murray. Drácula deixa Jonathan em seu castelo e parte para a Inglaterra, onde seu destino se cruzará com o de Mina Murray, através de sua melhor amiga, Lucy. O livro fala de amizade, amor, doença, loucura. Um dos pontos mais interessantes foi a amizade e devoção do Dr. Van Helsing, crucial para o final da história, e seus companheiros, Lord Goldaming, Dr. Seward e Quincey Morris, três admiradores de Lucy, que farão o possível e impossível para tentar salvá-la do vampiro. O que me incomodou um pouco foi o fato de todos tratarem as mulheres como bibelôs, seres que não têm estômago para saber sobre certas coisas. Disse um pouco porque o livro foi escrito no século 19, então deixei passar sem ficar (muito) irritada. Enfim, o livro é uma leitura pra lá de interessante que deixa o leitor com o fôlego suspenso várias vezes, sem saber o que vai acontecer com os personagens.

Frankenstein – Escrito pela escritora inglesa Mary Shelley quando ela tinha apenas 19 anos, Frankenstein é considerado o primeiro livro de ficção científica da história. Longe de ser a obra de terror que muitos imaginam, Frankenstein está mais para drama. Durante uma expedição náutica, enquanto buscava uma entrada para o Polo Norte, o capitão Robert Walton escreve para a irmã narrando como conheceu o doutor Victor Frankenstein, que conta sua triste história de médico ambicioso que quis vencer a morte. E ele faz isso dando vida a uma criatura monstruosa, de tamanho descomunal, com a pele amarela e aparência medonha. Ele se arrepende de ter criado tal ser e o abandona à própria sorte. Uma curiosidade: ao contrário do que muita gente pensa, Frankenstein é o criador. A criatura sempre é chamada de monstro ou demônio. O Dr. Frankenstein acaba contando também a história do ponto de vista da criatura, que, para a surpresa de todos, é um ser articulado, que a princípio admira os seres humanos e passa a tentar ajudá-los. Mas devido a sua aparência deplorável, é rejeitado e temido por quem cruza seu caminho. Pensando bem, Frankenstein é um representação de todas as pessoas excluídas da sociedade. Pessoas que não tiveram oportunidade ou sorte e são isoladas de todos. Achei esse livro o melhor e mais complexo dos três. Deixo aqui uma frase da criatura: “Devo respeitar o homem, quando ele me despreza? Se ele fosse bondoso comigo, eu, em vez de maltratá-lo, o cobriria de benefícios, com lágrimas de gratidão por me haver recebido. Mas isso é impossível; os sentidos humanos constituem barreiras intransponíveis para a nossa união.”

O Médico e o Monstro – O Médico e o Monstro, do escritor escocês Robert Louis Stevenson, pode ser considerado um suspense psicológico. Sr. Utterson, um advogado, se preocupa com seu cliente, o respeitável Dr. Jekyll, quando ele torna o Sr. Hyde seu beneficiário no testamento. Hyde é uma figura sinistra, não só fisicamente. É intratável e violento. Utterson expressa suas preocupações para o Dr. Jekyll, mas este diz que tudo está sob controle. O que o Sr. Utterson não sabe é que o médico criara uma poção capaz de separar seu lado bom de seu lado mais sombrio, e, ao contrário do que dissera a seu advogado, ele perde completamente o controle. O livro é muito bom e achei a narrativa bem atual, apesar de ter sido publicado em 1886. O Médico e o Monstro trata da dualidade do ser humano. Todos temos dentro de nós o bem e o mal, a luz e as trevas, o amor e o medo. Muitas vezes temos esse conflito dentro de nós. Resta torcer para que o Sr. Hyde nunca ganhe essa batalha.

Os três livros são clássicos que merecem ser lidos sempre. Recomendo.

 

 

Mainz

Você já ouviu falar em Mainz? Eu nunca tinha ouvido falar até minha amiga sugerir que fizéssemos um bate-volta a partir de Frankfurt.

A cidade é perfeita pra isso. É pequena e charmosa, além de ter mais de 2000 anos de história. Mainz está situada na margem esquerda do rio Reno, frente à confluência com o rio Main. Tem aproximadamente 200.000 habitantes e uma das universidades mais antigas do mundo, a Universidade de Mainz, fundada em 1477.

É bem fácil chegar lá a partir de Frankfurt. Você pode ir de carro e pegar a rodovia A66, ou ir de trem, como nós, a partir da Hauptbahnhof, a estação central de Frankfurt. A viagem dura uns 40 minutos. Você pode ver os horários dos trens aqui.

Nós pretendíamos sair mais cedo, mas como tínhamos chegado de viagem no dia anterior e já saído à noite, estávamos mortas de cansaço. Tomamos um café da manhã bem tardio em um dos café da estação e partimos.

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Pronta para ir pra Mainz

Como Mainz é pequenina, dá pra você passear pela cidade a pé e conhecer as principais atrações rapidinho. A partir da estação central da cidade, a Mainz Hauptbahnhof, você chega caminhando em pouco tempo até a catedral, um bela construção em estilo românico em arenito vermelho. É linda e bem antiga. A construção teve início no ano de 975!!! Como eu adoro essas cidadezinhas!

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Sempre tem uma restauração rolando

Você pode visitar a igreja de segunda a sexta, entre 9h e 18:30, aos sábados entre 9h e 16h e aos domingos entre às 12:45 às 15h e entre 16h e 18:30, por causa das missas. Pra visitar só a igreja é grátis, mas se você quiser conhecer o museu e a diocese da catedral, a entrada custa 5 euros.

Você lembra quem foi Johannes Gutenberg? Aquele cara que criou letrinhas de metal viabilizando assim, a imprensa. Pra uma pessoa que gosta de ler, como eu, só tem a agradecer por esse grande invento. Gutemberg nasceu em Mainz e lá tem um museu dedicado a ele e sua invenção, o Museu Gutenberg. Tem inclusive os exemplares das primeiras bíblias impressas. O museu fica na Liebfrauenplatz, 5 (Praça da Mulher Amada, olha que nome romântico!), bem pertinho da catedral e abre de terça a sábado das 9h às 17h e aos domingos das 11h Às 17h. A entrada custa 5 euros.

Como toda cidade medieval, Mainz tem um centrinho muito fofo, cheios de lojas, restaurantes e casas com fachadas estilo rococó. Uma graça!

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O Centro Antigo (Altstadt)

Também é ótimo passear às margens do Reno, principalmente num dia de sol. Como a cidade é pequena, você vai andado e, de repente vê o rio, que por sinal é bem bonito.

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Rio Reno

O tempo estava meio nublado e bem frio. A maioria dos restaurantes estava lotada. Acabamos achando um restaurante que ainda tinha vaga do lado de fora. Frio retado! O restaurante se chama Weinstube Losch, um restaurante que serve comida alemã e austríaca. Resolvi experimentar o famoso Wiener Schnitzel, que nada mais é que um bife à milanesa. Gostoso, mas nada demais. E como Mainz é considerada a capital do vinho na Alemanha, claro que pedimos um bom vinho branco. Eu prefiro vinho tinto, mas me surpreendi com a qualidade dos vinhos brancos alemães. Deliciosos! O Weinstube Losch fica na Jakobsbergstraße 9, 55116 Mainz.

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Meu Wiener Schnitzel

Assim como Frankfurt, Mainz foi uma agradável surpresa. Pode incluir no seu roteiro na Alemanha sem medo de errar.

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Centro de Mainz

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O Fio da Trama

livro

O Fio da Trama, da Editora Tordesilhas, narra a trajetória emocionante das mulheres da família Pascolato, uma das maiores referências da moda no Brasil, desde os diários da matriarca Gabriella, passando por sua filha Costanza, até os depoimentos comoventes de suas netas, Consuelo e Alessandra.

A história começa com a jovem Gabriella Pallavicini na sua terra natal, Itália, e sua luta para ter uma formação acadêmica, numa época em que as mulheres eram criadas para serem apenas esposas, mães e donas de casa. Nessa primeira parte, denominada Alta Costura, Gabriella narra no diário seus desejos e frustrações; como conheceu seu marido Michele e a participação dele no partido de Mussolini; os períodos pré e pós Segunda Guerra Mundial; a fuga para o Brasil, com dois filhos pequenos.

Na segunda parte, Prêt-à-Porter, é Costanza que passa a narrar os acontecimentos, sua rebeldia, seus casamentos, tudo intercalado com depoimentos de suas filhas Alessandra e Consuelo.

O livro fala de perdas e danos, de recomeços, de frustrações e felicidades, casamento e divórcio, tentativas frustradas de gravidez, filhos, netos, drogas. Parece uma história de ficção, mas é tudo verdade. As autoras não douram a pílula e a narrativa é fluida e gostosa de ler. Apesar do livro ter quase 500 páginas, li em três dias. E para melhorar, a edição tem fotos maravilhosas.

O Fio da Trama é desses livros que, apesar da curiosidade com o desenrolar da história, dá pena quando acabamos de ler. Podia ter mais umas 200 páginas.