A Sombra do Vento

Hoje amanheci com a triste notícia que Carlos Ruiz Zafón, um dos meus autores preferidos, havia morrido precocemente aos 55 anos. A Sombra do Vento foi o primeiro livro dele que li. Lembro do impacto que me causou há alguns anos e o livro acabou se tornando um dos meus preferidos até hoje.

Marina, O Príncipe da Névoa, O Jogo do Anjo, foram outros livros fantásticos de Zafón, embora nenhum tenha sido tão marcante para mim quanto A Sombra do Vento.

CRZ

Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade. A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em um homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.

Bastou a sinopse do livro para me conquistar, mas A Sombra do Vento tem muito mais. É daqueles livros que você lê e fica um tempão pensando nele. O autor escreve com maestria e a construção de seus personagens é muito bem desenvolvida. Destaco aqui Fermín, amigo de Daniel, um intelectual na pele de um mendigo que tem um bom humor incrível.

A escrita de Zafón é poética, sedutora. Ele consegue misturar passado, presente e futuro sem se perder. O livro tem uma fascinante mistura de drama, suspense e romance. Cada página tem em certo tom de mistério que deixa o leitor querendo sempre mais. E apesar disso, é daqueles livros para se ler devagar, saboreando cada frase, com pena que ele acabe.

Além disso tem o Cemitério dos Livros Esquecidos, um lugar mágico, que eu gostaria de um dia encontrar.

A morte de Carlos Ruiz Zafón é uma perda irreparável para a literatura mundial. Fica aqui minha homenagem ao autor.

Abaixo, algumas das frases mais memoráveis do livro A Sombra do Vento.

“Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos”

“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse uma rameira, um gatuno ou um vendedor de loteria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas à domicílio. É preciso ir atrás dele.”

“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.”

“As pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa antes de acreditar na verdade.”

Mestres do Terror

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Sempre gostei de histórias de terror. Do tipo inteligente, daquelas que mais insinuam do que mostram. Esse lance de sangue pra todo lado não é comigo. Gosto mais de suspense e terror psicológico. Quando ouvi falar desse box dos Mestres do Terror, da Editora Nova Fronteira, resolvi que era hora de ler os maiores clássicos do horror. Drácula, Frankenstein e O Médico e o Monstro são obras seculares e, ainda assim, atuais, que foram adaptadas para o cinema e o teatro diversas vezes.

Drácula – Do romancista irlandês Bram Stocker, Drácula foi o livro o qual eu estava mais curiosa, talvez por ter uma queda por  vampiros. O livro é um romance epistolar, algo que muita gente não gosta, mas eu adoro. É como se eu estivesse vivendo aquilo, lendo os diários e cartas de outras pessoas. O jovem advogado Jonathan Hacker viaja para as montanhas dos Cárpatos, perto da Transilvânia, uma região da Romênia, para fazer transações imobiliárias com o Conde Drácula. No início Jonathan acha o conde encantador, com seus modos educados, mas aos poucos ele percebe coisas estranhas. Drácula nunca come, nunca aparece de dia e seu corpo não reflete no espelho. Jonathan percebe que se tornou prisioneiro do castelo e fará de tudo para ir embora e encontrar sua noiva, Mina Murray. Drácula deixa Jonathan em seu castelo e parte para a Inglaterra, onde seu destino se cruzará com o de Mina Murray, através de sua melhor amiga, Lucy. O livro fala de amizade, amor, doença, loucura. Um dos pontos mais interessantes foi a amizade e devoção do Dr. Van Helsing, crucial para o final da história, e seus companheiros, Lord Goldaming, Dr. Seward e Quincey Morris, três admiradores de Lucy, que farão o possível e impossível para tentar salvá-la do vampiro. O que me incomodou um pouco foi o fato de todos tratarem as mulheres como bibelôs, seres que não têm estômago para saber sobre certas coisas. Disse um pouco porque o livro foi escrito no século 19, então deixei passar sem ficar (muito) irritada. Enfim, o livro é uma leitura pra lá de interessante que deixa o leitor com o fôlego suspenso várias vezes, sem saber o que vai acontecer com os personagens.

Frankenstein – Escrito pela escritora inglesa Mary Shelley quando ela tinha apenas 19 anos, Frankenstein é considerado o primeiro livro de ficção científica da história. Longe de ser a obra de terror que muitos imaginam, Frankenstein está mais para drama. Durante uma expedição náutica, enquanto buscava uma entrada para o Polo Norte, o capitão Robert Walton escreve para a irmã narrando como conheceu o doutor Victor Frankenstein, que conta sua triste história de médico ambicioso que quis vencer a morte. E ele faz isso dando vida a uma criatura monstruosa, de tamanho descomunal, com a pele amarela e aparência medonha. Ele se arrepende de ter criado tal ser e o abandona à própria sorte. Uma curiosidade: ao contrário do que muita gente pensa, Frankenstein é o criador. A criatura sempre é chamada de monstro ou demônio. O Dr. Frankenstein acaba contando também a história do ponto de vista da criatura, que, para a surpresa de todos, é um ser articulado, que a princípio admira os seres humanos e passa a tentar ajudá-los. Mas devido a sua aparência deplorável, é rejeitado e temido por quem cruza seu caminho. Pensando bem, Frankenstein é um representação de todas as pessoas excluídas da sociedade. Pessoas que não tiveram oportunidade ou sorte e são isoladas de todos. Achei esse livro o melhor e mais complexo dos três. Deixo aqui uma frase da criatura: “Devo respeitar o homem, quando ele me despreza? Se ele fosse bondoso comigo, eu, em vez de maltratá-lo, o cobriria de benefícios, com lágrimas de gratidão por me haver recebido. Mas isso é impossível; os sentidos humanos constituem barreiras intransponíveis para a nossa união.”

O Médico e o Monstro – O Médico e o Monstro, do escritor escocês Robert Louis Stevenson, pode ser considerado um suspense psicológico. Sr. Utterson, um advogado, se preocupa com seu cliente, o respeitável Dr. Jekyll, quando ele torna o Sr. Hyde seu beneficiário no testamento. Hyde é uma figura sinistra, não só fisicamente. É intratável e violento. Utterson expressa suas preocupações para o Dr. Jekyll, mas este diz que tudo está sob controle. O que o Sr. Utterson não sabe é que o médico criara uma poção capaz de separar seu lado bom de seu lado mais sombrio, e, ao contrário do que dissera a seu advogado, ele perde completamente o controle. O livro é muito bom e achei a narrativa bem atual, apesar de ter sido publicado em 1886. O Médico e o Monstro trata da dualidade do ser humano. Todos temos dentro de nós o bem e o mal, a luz e as trevas, o amor e o medo. Muitas vezes temos esse conflito dentro de nós. Resta torcer para que o Sr. Hyde nunca ganhe essa batalha.

Os três livros são clássicos que merecem ser lidos sempre. Recomendo.

 

 

O Fio da Trama

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O Fio da Trama, da Editora Tordesilhas, narra a trajetória emocionante das mulheres da família Pascolato, uma das maiores referências da moda no Brasil, desde os diários da matriarca Gabriella, passando por sua filha Costanza, até os depoimentos comoventes de suas netas, Consuelo e Alessandra.

A história começa com a jovem Gabriella Pallavicini na sua terra natal, Itália, e sua luta para ter uma formação acadêmica, numa época em que as mulheres eram criadas para serem apenas esposas, mães e donas de casa. Nessa primeira parte, denominada Alta Costura, Gabriella narra no diário seus desejos e frustrações; como conheceu seu marido Michele e a participação dele no partido de Mussolini; os períodos pré e pós Segunda Guerra Mundial; a fuga para o Brasil, com dois filhos pequenos.

Na segunda parte, Prêt-à-Porter, é Costanza que passa a narrar os acontecimentos, sua rebeldia, seus casamentos, tudo intercalado com depoimentos de suas filhas Alessandra e Consuelo.

O livro fala de perdas e danos, de recomeços, de frustrações e felicidades, casamento e divórcio, tentativas frustradas de gravidez, filhos, netos, drogas. Parece uma história de ficção, mas é tudo verdade. As autoras não douram a pílula e a narrativa é fluida e gostosa de ler. Apesar do livro ter quase 500 páginas, li em três dias. E para melhorar, a edição tem fotos maravilhosas.

O Fio da Trama é desses livros que, apesar da curiosidade com o desenrolar da história, dá pena quando acabamos de ler. Podia ter mais umas 200 páginas.

 

Homens Imprudentemente Poéticos

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A primeira vez que ouvir falar no escritor português Valter Hugo Mãe, foi no final de 2018, numa conta literária que sigo no Instagram. No começo do ano passado estava em São Paulo, e como adoro uma livraria, passei na Cultura e vi esse livro. Ele me chamou atenção pela bela capa, pelo título e pelo autor, que tinha curiosidade de conhecer. Comprei o livro e o deixei na fila por meses até que, voltando de uma viagem em outubro do ano passado, resolvi ler.

Homens Imprudentemente Poéticos é um livro ambientado no Japão antigo, em uma aldeia aos pés do Monte Fuji e perto da Floresta dos Suicidas. Os personagens principais são o jovem artesão Itaro, órfão que tem o dom ou a maldição de prever a morte quando mata animais, e o oleiro Saburo, que cultivou um jardim ao pés da floresta para tentar acalmar uma fera misteriosa, que segundo Itaro, tiraria a vida da Senhora Fuyu, sua esposa.

Os esforços de Saburo são em vão e, para aplacar um pouco a saudade de sua esposa, ele pendura o quimono da Senhora Fuyu no jardim, como se fosse um espantalho.

O livro trata das vidas desses dois personagens tão distintos e que ao mesmo tempo, se completam. O que falta em Itaro sobra em Saburo e vice-versa. Itaro sente falta de ternura, apesar de ter de sobra na sua irmã mais nova, a menina cega Matsu, que mesmo em sua terna inocência, não consegue extrair a tristeza do coração do irmão. Em Saburo sobra amor, mesmo na ausência de sua amada esposa. No decorrer do livro, as personalidades dos dois personagens vão se aproximando.

Valter Hugo Mãe narra a história de um jeito que a língua portuguesa, já tão bela, consegue ficar ainda mais bonita. O autor escreve em prosa como se fosse poesia, o que faz, ele mesmo, um homem imprudentemente poético.

“Por vezes, escolhiam a fome em troca de um mínimo de sossego. A felicidade podia acontecer num ínfimo instante, ainda que a fome se mantivesse e até a sentença para sofrer. O sofrimento nunca impediria alguém de ser feliz.”

 

 

 

 

 

 

 

Tomates Verdes Fritos no Café da Parada do Apito

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Feliz Ano Novo!!!!

Eu, como sempre, abandonando este pobre blog. Resolvi fazer resenhas de todos os livros que ler este ano, além últimos que li no ano passado. Então vou começar falando desse livro incrível que me deixou saudade quando acabei de ler.

Tomates Verdes Fritos no Café da Parada do Apito, foi um livro escrito por Fannie Flagg, em 1987, e serviu de base para o filme de mesmo nome, de 1991.

Em 1986, Evelyn Couch, uma mulher de meia idade, vai a contragosto visitar semanalmente junto com o marido, a sogra, que vive num asilo. Evelyn está com sobrepeso, entrando na menopausa, desgostosa com tudo e com todos. Numa das visitas ao asilo ela conhece Ninny Threadgood, uma simpática e conversadeira velhinha de 86 anos, que acaba conquistando sua amizade.

Ninny começa a narrar sua história de quando vivia na Parada do Apito, no Alabama, um dos estados mais pobres, repressivos e racistas dos Estados Unidos. Ela conta os acontecimentos do vilarejo e seus habitantes, destacando a amizade incomum entre Idge Threadgood, sua cunhada libertária e mulher à frente do seu tempo, e a doce e reservada Ruth Jamison.

Com a ajuda do pai de Idge, ela e Ruth abrem um café que fica famoso, não só por sua comida simples e gostosa, como pelo fato das duas não negarem um prato de comida a ninguém que estivesse com fome, seja branco, negro ou sem teto.

Um crime acaba acontecendo na cidade e só sabemos o desfecho dele nas páginas finais, o que vai aguçando cada vez mais nossa curiosidade.

Usando capítulos curtos, a autora vai alternando as épocas, (a década de 1980, onde a história se inicia; o período entre as duas Grandes Guerras, a Depressão norte americana) e cria um cenário único onde vários personagens coadjuvantes têm destaque.

A história central, o relacionamento de Idge e Ruth, é contada com delicadeza, apesar das repressões e ameças que elas sofrem. É a também sobre o resgate da identidade de Evelyn, que acaba se encontrando depois de ficar amiga de Ninny. É uma história sobre amor, amizade e quebra de convenções. E no final do livro tem várias receitas do Café da Parada do Apito, incluindo os deliciosos Tomates Verdes Fritos.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

“Talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos. Se isso fosse verdade, seria encantador.” Juliet Ashton

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Amei essa capa, com os selos de Guernsey

Há alguns meses assisti ao filme A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata e fiquei encantada. Até escrevi sobre ele aqui. Comecei o ano comprando livros (seis), entre eles, o que dá nome ao filme, escrito por Mary Ann Shaffer e Annie Barrows.

Embora o filme tenha algumas diferenças em relação ao livro (nenhuma grave), o enredo é o mesmo. A história começa na Londres pós-guerra, onde todos ainda estão traumatizados pelas perdas que tiveram e com a cidade, que ainda está em escombros. Mesmo assim estão todos respirando aliviados pelo fim da guerra e tentando curar suas feridas. Juliet Ashton é uma escritora que lançou uma coletânea de seus artigos durante a Segunda Grande Guerra e obteve um certo sucesso. Seu editor, amigo e correspondente de cartas a manda para todos os cantos da Grã-Bretanha para o lançamento do livro.

Mas agora ela está num impasse. Quer escrever outro livro, dessa vez um de verdade, e não uma coletânea de artigos, mas está sem inspiração. Não consegue achar um assunto bom o suficiente para o livro.

Até que um dia recebe uma carta de um Dawsey Adams, que tem um livro de Charles Lamb, que pertenceu a ela, e escreve pedindo informações sobre livrarias de Londres onde possa encontrar mais obras do autor. Na carta ele fala que é membro da Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, uma sociedade que começou por causa da ocupação alemã em Guernsey, uma ilha do Canal da Mancha, na costa da Normandia e dependência da Coroa Britânica. Juliet fica curiosa e começa a se corresponder não só com ele, como também com outros membros da sociedade. Uma ideia sobre seu novo livro começa a se formar. Ela fica tão encantada e curiosa com seus novos amigos de correspondência que resolve ir a Guernsey, para saber mais sobre a sociedade e seus membros.

O livro é um romance epistolar, que muita gente torce o nariz, mas eu particularmente adoro. Ele fala da ocupação alemã em Guernsey, de amizade, de amor, de solidariedade e, principalmente de livros e do amor das pessoas por eles. Você pode ir das lágrimas às gargalhadas em algumas páginas. É simplesmente sensacional. Você acaba se apaixonando por seus personagens e querendo ser amiga daquelas pessoas.

Fiquei tão fascinada pelo livro e seus personagens que resolvi pesquisar sobre a ilha de Guernsey. As fotos são lindas e a ilha já está na minha lista de lugares pra conhecer. Mais um!

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Guernsey é linda, não?

Li o livro em dois dias, de tão bom. Leia e se emocione também.

Três Livros

Uau! Mais de dois meses sem postar por pura preguiça. Mas começou um novo ano e agora quero me dedicar mais ao blog. E vou começar com dicas dos três primeiros livros que li em 2018, todos escritos por mulheres, todos com uma ótica feminista e todos fantásticos.

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A Amiga Genial, de Elena Ferrante – Esse é o primeiro livro da tetralogia Napolitana que conta a história de duas amigas: Lila e Lenu. O primeiro livro fala da infância e adolescência das duas. A história se passa num bairro pobre de Nápoles, no período pós-guerra. Esqueçam a Itália linda e romântica dos filmes. A Nápoles retratada no livro é marcada pela pobreza, pelas brigas familiares, pela violência. Lenu é quem narra a história e mostra como a relação entre ela e a amiga é complexa. Uma mistura de amor, ódio, cumplicidade, inveja, e competição num bairro e numa época onde as mulheres não eram valorizadas. E tudo que as duas amigas querem é sair daquele bairro, daquela vida. Seja por meio dos estudos ou do casamento. O final é impactante e deixa um gancho para o segundo livro.

Uma curiosidade sobre a autora é que ninguém sabe realmente quem ela é. Ela usa um pseudônimo e só dá entrevistas por escrito e através dos seus editores. Há quem diga que a tetralogia é autobiográfica. Sendo ou não, Elena Ferrante escreve de forma espetacular. Os livros serão adaptados numa série pela HBO.

miniaturista

Miniaturista, de Jessie Burton – Em 1686, Petronella Oortman é uma jovem de 18 anos que se casa com um bem-sucedido mercador de Amsterdã e se muda do interior para a casa do marido, na capital. Com ele também moram a irmã e um casal de empregados. Nella, como Petronella é chamada, acaba se sentindo uma intrusa na sua própria casa. Sua cunhada é austera, pouco sensível e cheia de segredos. O marido se comporta como um estranho e nunca está em casa. Numa ato de generosidade ela dá de presente a Nella uma casa de bonecas. Ela então resolve contratar um miniaturista para mobiliá-la e coisas estranhas começam a acontecer. Além dos objetos encomendados por Nella, o miniaturista (que nunca é visto) também manda outras miniaturas. E os objetos e miniaturas da casa de bonecas antecedem acontecimentos reais.

Esse livro não é um romance. É um drama cheio de mistérios e segredos e uma crítica à sociedade burguesa da época, à hipocrisia religiosa, à opressão sexual e à submissão das mulheres. O final deixa um pouco a desejar, mesmo assim vale a leitura.

A autora se inspirou na verdadeira Petronella Oortman, que realmente existiu, e em sua casa de bonecas que está na exposição permanente do Rijksmuseum, em Amsterdã. O livro foi adaptado numa minissérie pela BBC.

o conto da aia

O Conto da Aia, de Margaret Atwood – Esse livro é perturbador e foi o mais difícil de ler dos três. A história é sobre uma sociedade distópica onde, depois do acúmulo de radiação em algumas regiões dos Estados Unidos, extremistas religiosos acabam com o presidente e o congresso e tomam o poder em certas regiões do país. O que antes era uma democracia se transformou numa teocracia. Nessa sociedade as mulheres perdem todo o poder. Não podem andar sozinhas, trabalhar, nem mesmo aprendem a ler. Elas são divididas em castas: as Esposas de Comandantes (cuidam da casa e dos filhos e fazem trabalhos manuais, como tricô), as Econoesposas (fazem o mesmo papel das Esposas de Comandantes, mas são casadas com homens de classe baixa), as Martas (empregadas domésticas, que cuidam dos bebês e crianças), as Tias (encarregadas de treinar a obediência das Aias), as Aias (que servem apenas de receptáculo, para gerar um filho do Comandante e depois ser enviada para outra família, sem ter qualquer autonomia em relação à criança concebida) e as Não-Mulheres (mulheres não férteis solteiras, idosas, lésbicas). A história é contada por Offred, uma das Aias. Na maioria das vezes a narrativa é completamente desprovida de emoção. Só quando lembra do marido e filha, que não sabe o que aconteceu com eles, é que ela demonstra algum tipo de emoção.

Apesar de ter sido lançado em 1985, o livro é bem atual. Não porque pode acontecer, mas porque já está acontecendo em algumas sociedades. Onde existem extremistas religiosos cujas mulheres são meras propriedades deles. Muitas delas morrem ao tentar fugir para ter uma vida melhor, ou ao menos uma vida. Não é um livro fácil de ler, pois aborda estupro, tortura, mutilação, opressão. O livro é assustador, um verdadeiro soco no estômago e muito complexo pra resumir sem dar mais spoilers. Mas é obrigatório para todas as pessoas independente de credo, gênero ou visão política.

A premiada série The Handmaid’s Tale, baseada no livro, foi distribuída pelo canal de streaming Hulu e será transmitida no Brasil a partir de março de 2018 pelo Paramount Channel.

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Casa de bonecas de Petronella Oortman

 

 

Ainda Estou Aqui

 

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Quando eu era estudante, sempre gostei mais de História Medieval (vai ver é por isso que amo a Europa) do que História do Brasil. Só depois que saí da escola fui me interessar pela história do nosso país. E como filha da ditadura, me interessei mais pela nossa história recente, que teve inicio em 1964, com o golpe militar e só terminou em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência depois de 21 anos de Ditadura Militar.

Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho), é um livro de memórias. Um relato emocionante que fala de sua infância feliz intercalada pelas lembranças da prisão e assassinato (que a ditadura militar chamava de desaparecimento) de seu pai, o deputado cassado e engenheiro civil Rubens Paiva, e a luta de sua mãe, a advogada e ativista política Eunice Paiva, para descobrir a verdade sobre a morte seu marido.

Eunice teve que se reinventar depois do assassinato do marido. Antes uma dona de casa, estudou direito e passou a lutar pelas minorias, especialmente os índios. E lutou incansavelmente contra o regime militar. No livro, Marcelo relata que seu pai foi uma vítima da ditadura, enquanto sua mãe foi uma verdadeira inimiga.

O título do livro também remete a Eunice. Acometida pelo Alzheimer, Eunice tem pouca ou nenhuma lembrança de sua vida e de sua luta. O foco do autor é a vida da mãe depois do desaparecimento do pai, registrando memórias que ela não consegue mais lembrar.

É um livro comovente sem ser piegas, e obrigatório para aqueles ignorantes e/ou desavisados que sonham com a volta da ditadura. Esse período horrível da nossa história que nunca deveria ter acontecido. E que jamais pode tornar a acontecer.

 

 

Labirinto

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Três segredos. Duas mulheres. Um Graal. Se você gosta de histórias medievais, esse é o livro.

Julho de 1209 – Alaïs, uma jovem esposa e aprendiz de curandeira da cidade de Carcassone, na França, recebe do pai um misterioso livro que ele diz conter o segredo do Graal. Apesar de não compreender as palavras e símbolos do livro, Alaïs sente que é seu destino proteger esse segredo.

Julho de 2005 – Alice Tanner, uma professora convidada a participar de uma escavação arqueológica nos arredores de Carcassone, sente o impulso irresistível de entrar numa caverna e lá encontra dois esqueletos lado a lado. Ela não entende o porquê, mas experimenta uma sensação de maldade impressionante na tumba.

Indiana Jones e Robert Langdon desvendaram o segredo do Graal em Indiana Jones e a Última Cruzada e O Código Da Vinci. Agora é a vez de duas mulheres, Alice e Alaïs, que apesar dos 800 anos que as separam, suas histórias estão interligadas e são contadas paralelamente.

Kate Mosse, a autora do livro, fez uma extensa pesquisa sobre os cátaros, um povo medieval que não se subordinava aos preceitos da Igreja Católica e por isso foi perseguido e dizimado. A história começa no início da perseguição desse povo. O livro é cheio de detalhes e personagens. No início pode ser um pouco cansativo, mas depois você percebe que tudo é necessário para a trama.

Alaïs é, de longe, minha personagem preferida. Apesar de bem jovem e numa época onde as mulheres eram vistas apenas como procriadoras, Alaïs é uma mulher bem à frente do seu tempo, cheia de coragem e determinação. Outro personagem que me chamou a atenção foi o escritor Audric Baillard, um homem idoso e misterioso que acaba sendo de grande ajuda para Alice.

Labirinto é um drama cheio de suspense e tensão e a narrativa da autora é tão rica e descritiva que já coloquei Carcassone na minha lista de próximas viagens.

O livro foi adaptado para a televisão numa minissérie em 2013, tendo como personagens principais as atrizes Jessica Brown Findlay (Downton Abbey) e Vanessa Kirby (The Crown).

 

Top 10

Olá, pessoas! Dia 15 de Setembro o blog completou um ano e resolvi fazer algo diferente. Listar os top 10 das séries, filmes, livros, lugares que conheço. E resolvi também fazer uma lista das dez coisas que mais amo e mais odeio. A ordem é meio aleatória. Listei conforme fui lembrando. Espero que gostem. Beijos!

Amo (família e amigos estão no top do top, por isso não aparecem na lista) 😉

  • 1) Viajar
  • 2) Risada de criança
  • 3) Chocolate
  • 4) Solos (piano, sax, bateria, guitarra…)
  • 5) Ler
  • 6) Vinho
  • 7) Música boa (Rock, MPB…)
  • 8) Café
  • 9) Árvores
  • 10) Sotaque britânico

Odeio

  • 1) Guerra
  • 2) Violência
  • 3) Barata
  • 4) Preconceito (machismo, racismo, homofobia, misoginia…)
  • 5) Música ruim (sertaneja, arrocha e afins)
  • 6) Abóbora
  • 7) Calor
  • 8) Politicagem
  • 9) Falta de educação
  • 10) Leite

Filmes

  • 1) A Noviça Rebelde
  • 2) O Segredo dos Seus Olhos
  • 3) Dirty Dancing
  • 4) Antes do Amanhecer
  • 5) Antes do Por do Sol
  • 6) Ou Tudo Ou Nada
  • 7) Só Você
  • 8) A Testemunha
  • 9) Razão e Sensibilidade
  • 10) Simplesmente Amor

Séries

  • 1) Arquivo X
  • 2) Sherlock
  • 3) Downton Abbey
  • 4) ER
  • 5) Game of Thrones
  • 6) The West Wing
  • 7) Life on Mars
  • 8) Gilmore Girls
  • 9) Miss Fisher Murder Mysteries
  • 10) Friends

Livros

  • 1) Orgulho e Preconceito (Jane Austen)
  • 2) A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)
  • 3) Minha Vida de Menina (Helena Morley)
  • 4) Série Harry Potter (J. K. Rowling)
  • 5) À Espera de um Milagre (Stephen King)
  • 6) Trilogia Millennium (Stieg Larsson)
  • 7) A Livraria Mágica de Paris (Nina George)
  • 8) A Elegância do Ouriço (Muriel Barbery)
  • 9) Van Ghog – A Vida (Steven Naifeh e Gregory White Smith)
  • 10) O Tempo e o Vento (Érico Veríssimo)

Cidades

  • 1) Rio de Janeiro
  • 2) Londres
  • 3) Florença
  • 4) Aracaju
  • 5) Madri
  • 6) Positano
  • 7) São Paulo
  • 8) Cambridge
  • 9) Coimbra
  • 10) Paris

Restaurantes

  • 1) Ten Con Ten (Madri)
  • 2) Ristorante da Cleto (Roma)
  • 3) Due Cocchi (São Paulo)
  • 4) Osaka (Buenos Aires)
  • 5) Roca Moo (Barcelona)
  • 6) Pescatore (Aracaju)
  • 7) Tabaré (Montevideo)
  • 8) Soho (Salvador)
  • 9) CT Boucherie (Rio de Janeiro)
  • 10) Lo de Tere (Punta del Leste)

E aí? Alguém se anima em fazer um top 10 também?